sexta-feira, 5 de junho de 2009

Bastien e Bastienne, Juvenil e Popular

De enredo simples e curta duração (cerca de 50 minutos), Bastien e Bastienne é considerado um dos notáveis exemplos do género singspiel (diálogo falado entre a música) em que se insere. Numa nova versão em português* que visa devolver eficazmente a jovialidade simples de diálogos e canções, este espectáculo da Ópera de Coimbra apresenta-se com uma equipa alargada de actores/cantores e músicos e conta com o apoio cúmplice de artistas plásticos e de gente ligada à cultura e às artes de palco.
Peça composta em 1768, quando Mozart tinha apenas doze anos, o seu libreto é o resultado de sucessivas reelaborações de uma opereta de Rosseau, Le Devin du Village, apresentada com grande sucesso em Paris, em 1752. O enredo trata das desventuras de uma moça do campo, Bastienne, em risco de perder Bastien, o seu amado, enredado por outras seduções. Desesperada e almejando reconquistar o seu grande amor, ela recorre à ajuda de Colas, o feiticeiro. A trama desenvolve-se em torno dos conselhos dados aos enamorados pelo feiticeiro e do choque entre os dois, até à reconciliação final.
Bastien e Bastienne é uma obra de grande simplicidade, marcada por uma unidade melódica que se estabelece de maneira natural. O seu despojamento e concisão estão associados a uma grande fluência e dinamismo. Ao mesmo tempo já é possível, como no Mozart adulto, identificar a caracterização de cada personagem, através dos recursos musicais.
Nesta primeira versão site-specific de encenação, procuramos contrapor à austeridade do convento o colorido de figurinos, jogos, movimentos, submergindo a festa teatral na comunidade dos espectadores, numa glosa aos espectáculos de jardim e de palácio que encheram o período barroco; procuramos associar o rigor musical à busca da teatralidade irónica dos recitativos. Aproveitando o simbolismo das personagens e o universalismo da temática, acrescentámos a uma peça de três personagens a celebração de 30 figurantes cantores, numa alusão à sempiterna guerra dos sexos, procurando adaptar e imprimir uma desenvoltura teatral complementar à genialidade de Mozart na sua faceta mais juvenil.

1ª produção
BASTIEN E BASTIENNE de W. A. Mozart (Em português)
1ª temporada:
20 e 27 de Junho; 3 e 4 de Julho, às 22horas
Convento de S. Francisco, Coimbra


OPERA de COIMBRA
Bastien e Bastienne de Wolfang Amadeus Mozart
(Libreto original de F.W.Weiskern e J.H.Müller)*

Direcção Geral e Encenação: Júlio Sousa Gomes
Direcção Musical: Isilda Margarida

Elenco: Ana Loureiro, Ana Raquel Roseiro, João Barros, Nuno Mendes, Ricardo Vicente, Tânia Ralha
Orquestra: António Ramos (violino), Clara Ramos (violino), Guilherme Sousa (oboé), João Ventura (viola de arco), Jorge Cardoso (oboé), Magda Malva (flauta transversal), Pavel Changli (violoncelo), Rui Morais (contrabaixo), 2 trompas
Coros: Grupo Vocal Ad Libitum e Coro Infantil Cherubini Ad Libitum
Desenho de Luz: Alexandre Mestre
Apoio à cenografia: Fátima Silva; Isabel Pais; Pedro Penilo; Vítor Matos (escultura)
Figurinos: Diana Regal
Cabeleiras: Diana Regal e Joana Ferreira
Assistentência de Guarda-roupa e Caracterização: Elisa Pinto, Isabel Cartaxo, Joana Ferreira e Palmira Parente.
. Guarda- roupa: modelação e corte de século XVIII: Manuela Lopes assistida por Mónica Melo
Guarda-roupa geral: Maria Gaspar e Lurdes Baptista
Vídeo: Luísa Soares
Cabeleireira: Graça Taborda
Montagem: Jorge Alberto, João Paulo Roxo
Fotografia: Jorge Valente
Design Gráfico: Eduardo Nunes (ESEC)
Site: Tatiana Lages (ESEC)
Produção: Ad Libitum, Companhia das Artes ; Teatro dos Castelos, Cooperativa de Cultura
Produção Executiva: Paulo Pereira e Júlio Sousa Gomes

*Versão última de Júlio Sousa Gomes, a partir de 1ª versão de Madalena Leite Castro e Fernanda Correia; apoio de Magda Magano.

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